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Trabalhadoras da indústria carbonífera tem data especial no Calendário Oficial de Criciúma

 
Criciúma – O avanço tecnológico suprimiu a função desempenhada pelas mulheres na cadeia produtiva da indústria carbonífera, em meados da década de 1960, no entanto a importância do empenho das escolhedeiras de carvão jamais foi esquecida. Como tributo às responsáveis por separar o carvão ideal entre o material extraído do subsolo, Criciúma terá no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas, em 1º de Junho, Dia Municipal das Escolhedeiras de Carvão.

O ofício árduo desempenhado pelas escolhedeiras, enaltece o prefeito Márcio Búrigo, as expunham a riscos à saúde similares aos homens que cumpriam a tarefa de arrancar o carvão dos paredões no subsolo. “Em uma época que não havia as preocupações e as normatizações implementadas na atualidade nos ambientes de trabalho, sem os equipamentos de proteção individual (EPI), estas verdadeiras guerreiras trabalhavam muito para incrementar a renda das famílias. Ao emprestar a delicadeza e capricho ao ciclo do carvão, prestaram uma valiosa contribuição à cidade e merecem a homenagem”, avalia.

A proposta de criação do Dia Municipal das Escolhedeiras de Carvão partiu do vereador Edson Aurélio e recebeu aprovação no Legislativo.“Criciúma começou a se desenvolver economicamente tendo como principal atividade o carvão, que contribuiu para o povoamento e desenvolvimento social de todas as regiões onde havia minas”, destaca o parlamentar.

Um denso levantamento publicado pelo historiador e professor universitário criciumense Carlos Renato Carola resgatou a até então esquecida história das mulheres operárias da indústria carbonífera. Conforme os dados registrados no livro intitulado Das profundezas da história: as trabalhadoras das minas de carvão de Santa Catarina (Ed. UFSC, 2002), as escolhedeiras em geral eram solteiras e jovens (76% delas abaixo com até 20 anos). “Fiz este trabalho, que nasceu como uma dissertação de mestrado, para dar visibilidade a um segmento esquecido nas páginas dos livros de história. Tudo só parava nos homens e as mulheres foram tão importantes quanto os eles”, observa Carola.

Texto: João Pedro Alves
Foto: Blog Amigos de Santana
ai/UNO

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