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Termina o pontificado de Bento XVI

Chegou ao fim o pontificado do papa Bento XVI. Um dia antes de sua saída do trono sagrado o chefe da Igreja Católica Romana teve a última audiência públicas. A hora da demissão – 20h00 (hora de Roma) de 28 de fevereiro. A partir deste momento, e até a eleição do novo pontífice, o trono romano estará vago.

 

Muito antes do início da audiência na praça de São Pedro no Vaticano reuniram-se dezenas de milhares de fieis dos mais diversos países do mundo. Segundo dados oficiais, não menos de 200 mil. Quando surgiu o papamóvel com o pontífice ainda em exercício, a multidão explodiu em aplausos. Os aplausos interromperam várias vezes o discurso de Bento XVI, dirigido tanto aos fieis como ao clero. O papa romano mais uma vez exortou todos a conservar a fé cristã e permanecer cristão até o fim.

 


“Quando em 29 de abril de 2005 eu concordei em me tornar Papa, eu sempre fui confiante na Igreja, vida e Senhor. Em meu coração eu perguntei. Senhor, porque tu me pedes isto e para que. Mas eu sei que tu irás me conduzir com todas as minhas fraquezas. Oito anos depois eu posso dizer que o Senhor me conduziu.

 

Houve alegrias e tristezas. Eu me senti como Pedro e Paulo no barco. Houve dias em que a pesca foi grande, e houve dias de vento contrário. Mas eu sempre soube que a igreja-barco pertence ao Senhor. O Senhor não permitirá que ela afunde. Esta foi a confiança que não me abandonou. Por isso meu coração está cheio de gratidão. Nossa fé se fortaleceu. Eu quero exortar a todos a crer cada vez mais no Senhor, suas mãos sempre nos apoiam e permitem-nos avançar. Eu gostaria de que cada um sentisse a alegria de ser cristão e agradecesse ao Senhor por ele o ter criado.”

 


“Eu não abandono a cruz, mas permaneço junto ao Senhor crucificado em outra qualidade. Para servir à igreja”, mais uma vez salientou o pontífice. Bento XVI anunciou sua decisão de deixar o Trono Sagrado em 11 de fevereiro, poucos meses antes do 8º aniversário de sua entronização. O governo de Bento ocorreu numa época complexa para toda a Igreja Católica. Sendo conservador por seus pontos de vista, ele nem sempre pôde e quis contrapor-se às tendência modernas, que se delinearam na Igreja Catolica Romana, assinalou o estudioso da religião Yuri Tabak:

 

“Na Igreja Católica há muitos decênios existem questões que provocam grandes discussões e são um empecilho para o desenvolvimento ulterior da Igreja Católica e até mesmo colocam-na numa espécie de beco sem saída. Em particular é o problema do celibato e o problema dos contraceptivos e numerosos escândalos de pedofilia.”

 


No entanto os católicos, acolhendo a decisão do Papa de deixar o trono, lamentam a sua saída. “Apesar de o Papa estar vivo, a atmosfera de perda ainda assim existe”, contou à Voz da Rússia o diretor do serviço de informação do arcebispado católico romano da Mãe de Deus em Moscou, sacerdote Kirill Gorbunov.

“Tinham grande respeito pela personalidade de Bento XVI também no mundo ortodoxo. Este pontificado deu forte impulso ao desenvolvimento e fortalecimento das relações ortodoxo-católicas”, esclareceu o dirigente da secretaria de relações inter-cristãs na seção de relações religiosas externas do Patriarcado de Moscou, arcipreste Dmitri Sizoneko.

 

“O Papa Bento XVI é um homem muito comedido. E seu respeito pela tradição oriental do cristianismo da Igreja Ortodoxa era muito profundo. Isto se refletiu em todos os seus gestos e ações na política do Vaticano em relação às igrejas orientais, que se distinguiu por um grande tato e delicadeza. Com isto seu pontificado não apenas será lembrado, mas também entrará na história.”


 

Amanhã à tarde, o agora já “papa emérito” – assim será o título de Bento XVI depois da renúncia – isolar-se-á na residência de verão de Castel Gandolfo e depois irá morar no mosteiro na colina do Vaticano. O nome do novo pontífice da Igreja Católica Romana será conhecido com os resultados do conclave que se realizará, provavelmente, na primeira década de março.

 

Foto:EPA/VdR/UNOPress


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