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Sociedade se mobiliza contra a violência sexual infantil

Jaraguá do Sul – No dia 18 de maio de 2000, Araceli Cabrera Sanches, oito anos, foi sequestrada, drogada, espancada, estuprada e assassinada por filhos da alta sociedade de Vitória (ES). O crime chocou o Brasil na época e, em homenagem à menina e para combater o silêncio da sociedade em relação ao tema, foi criado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Desde então, todos os anos, há mobilização da população nesta data ou próximo dela. Em Jaraguá do Sul, o Dia D será 16 de maio, sábado, quando as pessoas que passarem pelo Centro Histórico e na Praça de Alimentação do Super Center Angeloni vão receber orientações sobre como denunciar a exploração sexual infantil e como preveni-la. Apresentações de dança, música, teatro e pintura facial também fazem parte do evento.
 
Desde a implantação do Serviço de Enfrentamento ao Abuso, Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (antigo Programa Sentinela), em março de 2006, 313 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registrados em Jaraguá do Sul. Só neste ano, de janeiro a abril, foram 31 os casos encaminhados ao serviço. O número é alto e vem crescendo a cada ano, conforme analisa a diretora de Assistência à Criança e ao Adolescente, Tatiana Uber, ex-conselheira tutelar.
 
A atual fragilidade das famílias e a falta de informação são apontadas como principal causa do aumento nos casos. Além de crime e violação dos direitos humanos, essas expressões resultam em danos irreparáveis para o desenvolvimento físico, psíquico, social e moral das crianças e dos adolescentes suscetíveis a esse tipo de violência, explica Tatiana. Essas vítimas estão sujeitas à dependência de drogas, gravidez precoce, distúrbios comportamentais e doenças sexualmente transmissíveis.
 
Números
 
De acordo com o Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (Datasus), de 2003, as internações por gravidez, parto e puerpério correspondem a 37% das internações entre mulheres de 10 a 19 anos. Mais de 40% das mães adolescentes e jovens interrompem os estudos, conforme pesquisa nacional de 2002 sobre gravidez na adolescência (Pesquisa Gravad). Também em 2002, foram registrados no Datasus 1.650 óbitos de mulheres por causas relacionadas à gravidez. Destas mulheres, 16% tinham entre 10 e 19 anos. A incidência de Aids entre adolescentes e jovens de 10 a 24 anos passou de 2,4 % para 10,5%  de 1991 a 2000. Os números mostram apenas uma pequena parte dos problemas a serem enfrentados por vítimas de violência ou abuso sexual.
 
Para denunciar violência, abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes basta ligar 100 (número nacional gratuito) ou 0800-642-0122 (Conselho Tutelar). A denúncia é anônima e fundamental para combater esse tipo de crime.

Fonte:Clarissa Borba
Jornalista

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