Mais que palavras

Quando eu perdi o bonde!

Eu não sei quanto a vocês, mas eu vivo com um medo de perder o bonde!

De passar pela vida e não ter entendido qual seu verdadeiro propósito. De me deixar levar pelos motivos errados ou ir com tanta pressa e tão obtusamente ao meu objetivo final (que eu mesma elegi), que quando já não houver mais tempo, descobrir que o troféu de ouro era para quem observasse as perfeições do caminho!

Não que tenha sempre que ser vencedora, não é isso. Mas me corrói pensar que desperdicei minha única chance de ter me deliciado com a vida e por ignorância deixei passar esta oportunidade…

E por mais que tentemos manter esta questão em mente sempre, alertando-nos de que devemos curtir cada fase de nossa vida, mesmo que seja um período difícil, a ansiedade em saber o que vem depois é inegável. Ela nos leva para longe, para um futuro que nem sabemos como será e “se” virá. Ela nos faz correr com tênis próprios para velocidade em busca do pote dourado no fim do arco-íris. Ela nos faz querer desesperadamente a consagração, quando o lance é a arte da construção.

Não significa que não devemos ser focados, só não podemos estar alheios.

A atenção nas coisas e situações ao nosso redor é que nos mostrarão uma perspectiva totalmente diferente. Costumamos ser tão bitolados e condicionados a ter o mesmo olhar perante a vida, que não percebemos as maravilhosas variações que ela nos proporciona.

São os detalhes da estrada que nos fortalecem, enriquecem e indicarão a melhor maneira de chegar onde pretendemos. Assim, é fundamental saber peregrinar. Pois é nela, na estrada da vida, que contêm diversos segredos e quem passa correndo, perde o bonde!

Mas não menos importante, é respeitarmos nosso ritmo de caminhada. Quem sempre tenta alcançar os outros, importando-se mais em não ficar para trás do que com o intuito da jornada, está fadado ao fracasso.

Por isso, não se intimide por estar mais distante ou por ter que caminhar por um tempo só, o que de fato têm valor é completar o percurso, coletando todas as pedras preciosas no decorrer dele, e saber o que fazer com elas quando chegar ao destino!

Decididamente não quero perder o bonde!

Alessandra Dietrich é graduada e pós-graduada em Comércio Exterior.

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