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Piçarraiá com Falamansa em Balneário Piçarras

Balneário Piçarras – A Prefeitura Municipal ajusta os últimos detalhes para a segunda edição do Piçarraiá, que acontece entre os dias 11 e 12 do próximo mês. Além das tradicionais apresentações culturais e barraquinhas da típica gastronomia interiorana, este ano, o Grupo Falamansa será a atração principal da festa.

Com 16 anos de carreira, o grupo volta às paradas de sucesso neste ano com seu novo disco “Amigo Velho”, que conta com músicas inéditas, propondo um forró sem beira nem fronteira. Do improvável encontro de três “alemães” paulistas e um experiente sanfoneiro pernambucano, 16 anos atrás, nasceu não apenas um dos grupos mais importantes de forró desde Luiz Gonzaga, mas uma amizade que atravessou os anos e os acidentes no caminho intacto. “Falamansa existe graças aos quatro. Se fosse qualquer outro não teria dado certo”, resume Tato, cantor, violonista e compositor da banda, que se completa com Alemão, na zabumba, Dezinho, no triângulo, e Valdir do Acordeom, na sanfona.

O clima de companheirismo e harmonia do quarteto não poderia ter melhor tradução do que “Amigo Velho”, faixa-título e álbum que o Falamansa coloca nas prateleiras, lojas virtuais, rádios e festas de São João a partir de maio. Gravado no estúdio próprio do vocalista, no melhor estilo “tudo em casa”, entre um churrasquinho e uma jam session, o novo disco de inéditas da banda (6º da carreira e 9º se considerados ao vivo e coletâneas) oferece flertes descompromissados com o folk, o country, o punk cigano e até o funk pancadão, sem perder de vista o inconfundível denominador comum da Falamansa: o forró pé-de-serra.

“Numa Festa de São João”, terceira do disco, representa bem essa mistura de tradição com contemporaneidade. Abre num folk moderninho de violão capaz de fazer bonito em qualquer festival indie do mundo hoje, trilha de novela ou comercial de banco na TV, mas desemboca num gostoso xote cadenciado, daqueles de dançar agarradinho com a pessoa amada.

“Dei um passo para trás e fui buscar a raiz mesmo. Se a volta do sucesso do folk fez as pessoas ficarem mais acostumadas a voz e violão, então por que não abandonar a bateria e apostar na sonoridade do trio [sanfona, triângulo e zabumba]?”, sugere Tato. Por trás da aparente ingenuidade da canção, no entanto, está uma tentativa de trazer para primeiro plano nossa rica cultura de festas juninas – “Mais fortes que o Carnaval, na minha opinião” – e também “uma das progressões de acordes mais complexas que já fez na vida, gaba-se”.

“Cada vez mais vejo a gente como revolucionários. São 16 anos seguindo os mesmos princípios e indo na contramão dos modismos, dessa coisa da sacanagem, de simplificar tudo para teclado e voz”, diz. Numa das principais alfinetadas nesse sentido, a faixa “Forró à Brasileira”, decreta: “O forró não tem cor / Não tem raça / Não tem briga / E é da massa / Não tem pose, nem pirraça / Meu forró só tem amor”. E no refrão: “Meu forró não tem beira, não / Meu forró não tem fronteira / Meu forró não é brincadeira / É da alma brasileira”.

“Essa é a nossa carta de intenções. Somos nós de punhos cerrados”, brinca, falando sério, o vocalista de 36 anos, fiel devoto da santíssima trindade do forró nordestino Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos.

Mas engana-se quem pensa que “Amigo Velho” é um disco combativo. Pelo contrário, o otimismo alto astral típico da Falamansa aparece em praticamente todas as faixas do disco – desde a autobiográfica “Um Novo Dia”, que trata da superação de Tato após a retirada de um tumor cerebral em 2007, passando pela festeira “Quem Sou Eu?”, que remete aos sons de cabaré do Gogol Bordelo, o arrasta-pé de duplo sentido “DDD” até a nada sutil “Me Dá Um Beijo”. “Esse é o xote rasgado, de inspiração em Flávio José, com letra muito romântica. É a hora em que a gente tira sandália de couro e bota o pé na terra”, recomenda.

E para quem não entender o recado em bom português, o quarteto preparou “Un Petit Peu Plus D’Amour”, inspirada nas andanças que tem feito pela França, Suíça, Portugal, Itália, Inglaterra e Irlanda nos últimos cinco anos. “Já fomos duas vezes tocar em Paris e é incrível ver o quanto está crescendo lá o forró. O europeu está descobrindo, fazendo festivais, aulas de dança e até workshop de zabumba!”, conta Tato. E arremata: “Hoje, o regional soa mundial”.

ai/UNO

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