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Pesquisadoras da UFSC ganham Prêmio L’Oréal para Mulheres na Ciência

Duas pesquisadoras catarinenses foram contempladas com o Prêmio L’oréal para Mulheres na Ciência, concedido anualmente pela ABC (Academia Brasileira de Ciências), em parceria com a L’oréal e a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Manuella Kaster e Patricia Brocardo, ambas da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), vão receber bolsas de estudo no valor de US$ 20 mil para desenvolver seus projetos de pesquisa no prazo de dois anos. Além delas, outras cinco pesquisadoras foram selecionadas na edição 2014. Até hoje, mais de 60 brasileiras já foram laureadas. A cerimônia de premiação foi realizada no dia 21 de outubro, no Copacabana Palace, Rio de Janeiro.

Manuella Kaster é pesquisadora da área de Ciências Biomédicas, e sua proposta de pesquisa tem o título “Marcadores moleculares e bioquímicos em saúde mental: foco na manifestação e severidade dos sintomas e comportamentos observáveis em pacientes com depressão”. O objetivo é investigar diferentes marcadores genéticos e bioquímicos envolvidos na manifestação e severidade de sintomas do diagnóstico da depressão. Manuella diz que “esta estratégia ambiciona prevenir, predizer e personalizar intervenções na área de saúde mental e reduzir o sofrimento e a sobrecarga que as doenças mentais causam ao indivíduo.”

Os sintomas da doença, como presença ou ausência de anedonia (perda de interesse ou satisfação em quase todas as atividades), disfunção cognitiva e alterações no sono, podem variar entre os pacientes. Grande parte das dificuldades da pesquisa em psiquiatria está relacionada à falta de consenso entre as categorias diagnósticas e as informações de estudos genéticos e neuroquímicos. A pesquisadora completa: “não existem marcadores biológicos preditivos ou com valor diagnóstico para na identificação e tratamento da doença.”

Patrícia Brocardo atua em Ciências Biológicas e seu projeto contemplado é “Efeitos do consumo de álcool durante a gestação na neuroplasticidade hipocampal adulta: Busca de Novos alvos Terapêuticos”. Neuroplasticidade é como o cérebro reage e se adapta perante desafios, e o foco do estudo são os efeitos benéficos da atividade física em neurônios expostos durante o desenvolvimento aos efeitos lesivos do etanol. “Tenho interesse particular em estudar como agentes tóxicos afetam o desenvolvimento do sistema nervoso central e minha pesquisa busca intervenções que possam auxiliar na neuroplasticidade após um dano cerebral”, afirma a pesquisadora.


Segundo Patrícia, desde a descoberta de que novos neurônios nascem (neurogênese) em cérebros de adultos, cientistas buscam intervenções para estimular seu nascimento. A atividade física é uma das ações usadas com sucesso para estimular a neurogênese hipocampal (região central do cérebro, na altura dos lobos temporais). A hipótese trabalhada é que a atividade física irá estimular a neuroplasticidade com o aumento do nascimento de novas células e minimizar os efeitos da exposição ao etanol.

O Prêmio L’oréal foi instituído em 1998 e já contemplou mais de 1700 mulheres em 108 países. A cada ano, cinco delas são escolhidas a nível internacional, e cinco pesquisadoras brasileiras já foram reconhecidas dessa forma. No Brasil, a premiação começou a ser entregue em 2006. Ela reconhece e promove as mulheres cientistas, que são menos de 1/3 dos pesquisadores no mundo, além de garantir visibilidade ao trabalho. “o prêmio será importante para iniciar o projeto pesquisa, além de promover a divulgação do projeto para a comunidade científica e para a população em geral”, diz Manuella Kaster, Patrícia Brocardo afirma “tenho certeza que este reconhecimento irá alavancar a minha carreira como pesquisadora”.

Foto: Rosane Bekierman / Divulgação
Fonte: Jéssica Trombini


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