Comportamento

Os bilhões do Facebook

Muita gente se pergunta como os analistas chegam aos números para avaliar empresas digitais como o Facebook. De acordo com notícias recentes, do início deste mês de janeiro, o aporte de US$ 450 milhões feito pelo banco de investimentos Goldman Sachs elevou o valor do negócio de rede social para US$ 50 bilhões.

São números que os próprios jornalistas têm dificuldade para contextualizar. A expressão mais comum é “valor estratosférico”, como a querer dizer uma quantia de dinheiro fora do cenário dos mortais comuns. Uma reportagem na edição de quarta-feira (19/1) do Estado de S. tenta desvendar esse universo.

Movido basicamente por anúncios de pequenas e médias empresas, o Facebook faturou US$ 1,86 bilhão em 2010, e deve chegar aos US$ 4 bilhões de receita neste ano, segundo estimativas. O valor anunciado da empresa não leva em conta apenas as projeções de crescimento do faturamento: também é considerada a avaliação que fazem os investidores.

Embora ainda não seja uma companhia de capital aberto, os recentes leilões de ações do Facebook têm provocado grande procura e inflacionado seu valor, o que dá uma idéia do que deve acontecer se e quando a empresa fizer sua oferta pública inicial de ações na Bolsa.


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Os investidores certamente têm o olho fixo nos US$ 200 bilhões de dólares que vale outro fenômeno digital, o Google. No entanto, muitos analistas costumam deixar de lado certos aspectos do negócio, que no universo digital podem fazer muita diferença.

Por exemplo, que efeito teria no Facebook uma denúncia massiva de invasão ou mau uso de dados privados de seus adeptos? Ou, como o mercado reagiria ao crescimento de outras iniciativas de rede social, mais restritivas e tribalizadas, ou a concorrentes que misturem a interatividade com informações personalizadas?

Outra reportagem, publicada na Folha de S.Paulo, também na quarta-feira (19), dá uma idéia dos esforços que a mídia tradicional, montada geralmente numa empresa jornalística de papel, ainda faz para tentar se manter competitiva. Um sistema que permite aos jornais cobrar pelo acesso de seus visitantes online mais regulares revela que essa iniciativa não causa, em média, quedas significativas na receita e no volume de tráfego dos sites.


Isso mostra que os leitores estão dispostos a pagar por alguns conteúdos online que consideram valiosos. Mas ainda se trata de uma realidade muito distante dos bilhões de dólares dos novos negócios digitais.

Por Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa

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