Medicina e Saúde

Mortalidade por enfarto é maior no universo feminino

Doença já figura entre as principais causas de morte

Estudos médicos sugerem que no Brasil uma em cada cinco mulheres tem risco de sofrer um infarto. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres, de acordo com o Ministério da Saúde. Aproximadamente 20 mil óbitos são decorrentes de problemas cardiovasculares – a primeira causa de morte é o AVC (acidente vascular cerebral) e a segunda é o infarto -, essa incidência vem crescendo entre as mulheres e a taxa de mortalidade por infarto é maior no público feminino.

De acordo com o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares que mais matam as mulheres são o AVC e infarto. Um estudo realizado para identificar o crescimento de doenças cardiovasculares em mulheres nas capitais brasileiras mostrou quais são as principais capitais com aumento de óbitos por doenças cardíacas em mulheres. Nesse ranking, São Paulo está em primeiro lugar com 38 mil óbitos, em segundo lugar está o Rio de Janeiro com 18 mil óbitos, terceiro lugar Minas Gerais com 16 mil e em seguida, Rio Grande do Sul com 11 mil óbitos.

Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde – as doenças cardiovasculares são responsáveis por 1/3 de todas as mortes de mulheres no mundo, o equivalente a cerca de 8,5 milhões de óbitos por ano, mais de 23 mil por dia.

O que preocupa os médicos é que as mulheres nem sempre percebem os sinais de que algo está errado. Um dos principais sinais de alerta está no colesterol. O bom, HDL, deve estar acima de 50 mg/dl. O mau, LDL, abaixo de 100 mg/dl e a pressão arterial não deve passar de 12 por 8.

“Geralmente a mulher não presta atenção nos sintomas de doenças cardiovasculares, ela acha que é um problema na coluna, no braço porque ela carregou a criança ou uma sacola muito pesada, mas ela não pensa que pode estar tendo um problema cardiovascular”, esclarece a cirurgiã cardíaca do HCor – Hospital do Coração, Dra. Magaly Arrais.

Segundo a cirurgiã cardíaca o aumento da incidência de eventos cardiovasculares na mulher é consequência do envelhecimento natural e do estilo de vida. “A mulher geralmente acumula vários papéis. Ela trabalha fora, cuida da casa e da família. O ritmo acelerado a expõe a muito estresse e favorece hábitos pouco saudáveis, como sedentarismo e má alimentação”, explica Dra. Magaly Arrais.

Com o envelhecimento, a pressão arterial e o nível de colesterol tendem a aumentar. A falta de atividade física e a dieta inadequada levam ao sobrepeso e à obesidade, que também aumentam o risco cardiovascular. A obesidade é um dos fatores de risco mais preocupantes, já que o número de mulheres obesas no Brasil cresceu 64% em 10 anos. Quando a mulher fuma e usa pílula anticoncepcional, os riscos cardiovasculares são triplicados.

O aumento das doenças cardiovasculares nas mulheres:
• Entre as brasileiras, 1 em cada 5 mulheres adultas está em risco de desenvolver doenças cardiovasculares;
• o infarto em mulheres é mais fatal do que entre os homens;
• no mundo, as doenças cardiovasculares são a maior causa de mortes entre as mulheres, com 8 milhões de mortes por ano. Este número é oito vezes maior do que o de mortes por câncer de mama;
• apesar do alto risco, poucas mulheres visitam o cardiologista regularmente;
• no Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres;
• os sintomas das doenças cardíacas nas mulheres geralmente são diferentes dos sintomas nos homens. Quando o homem vai ter um infarto, costuma sentir uma forte dor no peito que irradia para os braços. Entretanto, nas mulheres também é comum sentir náusea, fraqueza, dores gástricas e falta de ar – sintomas que podem ser confundidos com outras doenças.
A importância da prevenção e da qualidade da vida:

O HCor – Hospital do Coração por meio de sua equipe multidisciplinar do Clinic Check-up, estabelece avaliações com o intuito de identificar eventuais doenças e seus possíveis fatores de risco – baseado em dados clínicos e achados de exames. São pesquisadas doenças frequentes e clinicamente importantes com impacto na saúde e na qualidade de vida, como tumores, doenças cardiovasculares, metabólicas e infecciosas. Para isso, o serviço conta com uma equipe multidisciplinar composta por cardiologista, urologista, ginecologista, fisiatra, dermatologista, oftalmologista, proctologista e nutricionista.

No que diz respeito às doenças cardiovasculares, além da identificação e controle dos fatores de risco, o HCor conta com exames de alta tecnologia como o ecocardiograma tridimensional e angiotomografia de artérias coronárias, na qual pode identificar a presença de aterosclerose nesses vasos, além de ressonância magnética e tomografia computadorizada do coração.

Também são feitas orientações nutricionais para reeducação alimentar, para atividade física, pois é evidente que cada um de nós tem sua parcela de responsabilidade, já que algumas medidas preventivas estão relacionadas diretamente aos nossos hábitos de vida.

Para se ter hábitos saudáveis é necessário a prática de atividade física regularmente. Por isso, os cardiologistas do HCor recomendam as atividades de cunho aeróbico como caminhadas e corridas, porém elas devem ser praticadas moderadamente e nos horários em que o sol está menos agressivo. Outro fator importante para aqueles que participam de competições e realizam exercícios físicos é a hidratação. É importante abusar da água mineral ou de coco, sucos e líquidos isotônicos. Isso facilita a hidratação e reposição das energias dos atletas.

Infarto Agudo do Miocárdio – um problema mundial:

O infarto agudo do miocárdio é a principal causa de morte cardiovascular no mundo incluindo o Brasil. A doença aterosclerótica, que promove a obstrução arterial, está diretamente relacionada aos fatores de risco como sedentarismo, colesterol, tabagismo, hipertensão e diabetes, entre outros.

Um programa de atendimento ao paciente e aos familiares, esclarecendo cada um desses fatores e orientado quanto ao controle dos mesmos, é de fundamental importância. Tal abordagem multidisciplinar com enfermeiros especializados, nutricionistas, fisioterapeutas, educadores físicos e psicólogos, tem demonstrado melhor aderência ao tratamento e nas mudanças de hábitos de vida com consequente redução do risco de eventos.

O acompanhamento dessa equipe especializada e focada nesta doença e população, durante a internação do paciente com infarto e após sua alta, aumentam o conhecimento do mesmo sobre sua doença além de estimulá-lo no controle dos fatores de risco.
AVC em mulheres:

O acidente vascular cerebral (AVC) é a principal causa de morte das mulheres no Brasil e uma das mais importantes do mundo, atingindo 16 milhões de pessoas a cada ano.

Destas, seis milhões morrem. No Brasil, em 2011, foram realizadas 172.298 internações por AVC, dos dois tipos: isquêmico e hemorrágico. Em 2010, foram registrados 99.159 óbitos.

ai/UNOPress

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