Medicina e Saúde

Grupo de pessoas cujos cérebros são sempre jovens e lúcidos ao passo que envelhecem

Você é um “Superager” (super-idoso)? Este grupo de pessoas tem 80 anos com um cerébro 30 anos mais jovem e tem 90% por cento menos chance de ter  doença de Alzheimer.

Os pesquisadores do Northwestern Neurologia Cognitiva e do Centro de Doença de Alzheimer na Northwestern University Feinberg School of Medicine descobriram que um grupo de “SuperAgers” têm o cérebro de uma pessoa de 50 anos de idade – apesar de estar em seus oitenta anos.

A descoberta revela que essas pessoas têm cérebros distintos e diferentes na aparência dos idosos normais, e a mesma capacidade de memória como uma pessoa mais jovem. Entender estes cerébros poderia levar a novos tratamentos para a demência, dizem pesquisadores.

A assinatura incomum no cerébro de um “Super-ager” ou “Super-idoso” tem três componentes comuns quando comparados com pessoas normais de idades semelhantes:


1. A região mais espessa do córtex

2. Significativamente menos emaranhados neurofibrilares (marcador primário da doença de Alzheimer)

3. A grande oferta de um neurônio von Economo (VEN) associada a uma maior inteligência social

Publicado no Journal of Neuroscience, o estudo é o primeiro a quantificar as diferenças cerebrais dos “SuperAgers” e os idosos normais.


“Os cérebros dos “SuperAgers” ou são ligados de forma diferente ou tem diferenças estruturais, quando comparados a indivíduos normais da mesma idade”, disse Changiz Geula, autor sênior do estudo e professor de pesquisa na Neurologia Cognitiva e do Centro de Doença de Alzheimer. “‘Pode ser um factor, tal como a expressão de um gene específico, ou uma combinação de fatores que oferece esta proteção da memória.”

“Identificar os fatores que contribuem para os SuperAgers e esta capacidade de memória incomum pode permitir-nos oferecer estratégias para ajudar a população crescente de “idosos normais” a manter sua função cognitiva e orientar futuras terapias para tratar certas formas de demência”, disse Tamar Gefen, o primeiro estudo do autor e um doutorando de neuropsicologia clínica na Feinberg.

“Acredita-se que esses neurônios ligados a inteligência social desempenham um papel fundamental na rápida transmissão de informações comportamentais relevantes relacionadas às interações sociais”, disse Geula. Essas células estão presentes em espécies como baleias, elefantes, golfinhos e macacos superiores.

As células de von Economo (VEN)


As células de von Economo (VEN) foram descritas pelo psiquiatra e neurologista romeno Constantin Freiherr von Economo, em um artigo de 1925. Elas possuem três características principais: o seu formato alongado, a velocidade aumentada de condução do impulso neural, e a sua localização no cérebro. Somente duas regiões do cérebro possuem VEN:  o Córtex Insular anterior e o Córtex Cingulado anterior.

Células VEN e sua relação com o comportamento social

Estas células ocorrem exclusivamente em mamíferos altamente sociais, como grandes primatas (chipanzés, gorilas, orangotangos e bonobos), elefantes, baleias jubartes, morsas e golfinhos. Esses também apresentam células VEN em regiões análogas às citadas anteriormente e, mesmo que a quantidade destas células sejam comparáveis entre as espécies, no grupo dos grandes primatas assim como nos humanos, o número é maior.

Em pacientes no estágio final da doença de Alzheimer há uma redução de 60% de células VEN. Neste estágio da doença há maior deterioração do comportamento social. O mesmo padrão de decaimento é visto em casos avançados de transtorno bipolar e esquizofrenia.


ai/UNO

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