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Direitos Humanos de Honduras denuncia mortes e prisões e desaconselha eleições

Tegucigalpa – O Comitê de Defesa dos Direitos Humanos de Honduras, que até agora não havia se manifestado diretamente contra a realização das eleições, convocou a imprensa internacional, nesta quarta-feira (11), para fazer um alerta contra a possibilidade de fraudes e ocorrência de atos violentos se as eleições forem realizadas, sem a recondução de Manuel Zelaya, o presidente deposto pelo golpe de estado, à presidência.

Andres Pavon, presidente do Comitê, apresentou um extenso relatório sobre o que tem ocorrido desde a deposição de Zelaya, que a entidade chama de Terrorismo de Estado no Século 21. “Acreditamos que não existem condições para que as eleições sejam realizadas, enquanto os direitos humanos dos hondurenhos não estão sendo respeitados”, disse Pavon.

Segundo ele, desde que a crise começou, aconteceram 129 mortes sem esclarecimento, a maior parte delas, 109, durante os toques de recolher. Além disso, mais de 3 mil pessoas teriam sido presas arbitrariamente. O relatório do Comitê fala ainda de mais 10 atos contra a imprensa no país.

Pavon disse que o Comitê vai propor o boicote às eleições e lutar pela instalação de uma Assembleia Constituinte. Ainda nesta quarta-feira, o subsecretário Adjunto dos Estados Unidos, Craig Kelly, encerrou uma visita de dois dias ao país. Kelly se encontrou com o presidente golpista, Roberto Micheletti, e com Zelaya, em mais uma tentativa de salvar o Acordo Tegucigalpa-San Jose, para a criação de um goveno de unidade nacional.


Pouco antes de embarcar de volta para seu país, Kelly comentou os encontros e disse que as conversas foram produtivas e salientou que é importante que o diálogo continue. No entanto ele reconehceu que nem Micheletti e nem Zelaya demonstraram intenção de recuar de suas posições.

Para os movimentos de resistência ao golpe, os Estados Unidos estão mantendo uma posição dúbia sobre o que ocorre no país. Juan Baruana, um dos líderes da frente que exige a volta de Zelaya à presidência, disse que o governo norte-americano poderia ter dado fim ao golpe em poucas horas.

Jose Donizete/ABr 


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