Opinião

Crianças e adolescentes de 2 a 19 não recebem a vacina contra Gripe A

por Mauro Queiroz

O Brasil comprou 103 milhões de doses para cobrir os 190 milhões de habitantes

Muitas pessoas estão com dúvida sobre as faixas etárias escolhidas pelo governo para serem vacinadas. Há dúvida também sobre as faixas que foram excluídas da vacinação. Haja visto que ficaram de fora da vacinação em massa que vai até maio, os adultos saudáveis e pessoas com mais de 40 anos e crianças e adolescentes de 2 a 19 anos

A vacina é nova e o critério usado para escolha das faixas que serão alvo da vacina gratuita do Ministério da Saúde se baseia na primeira onda do contágio no ano passado (2009) quando a Gripe A atingiu 30 mil pessoas. Estes dados foram criteriosamente  analisados. Também nesta pesquisa chegou-se a conclusão de quais grupos tem maior incidência. Como é um vúrs que nunca havia circulado no Brasil estabeleceu-se vacinar tais grupos sem custos.

A ordem até tem um bom critério. Primeiramente os profissionais de sáude, povos indígenas, gestantes, os adultos entre 20 e 39 anos e as crianças entre 6 meses e dois anos.

Segundo o Juvêncio Furtado, professor de infectologia da Faculdade de Medicina do ABC e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. “A indústria farmacêutica não teve tempo hábil para desenvolver quantidade suficiente de vacina para atender toda população mundial. O Brasil, por exemplo, comprou 103 milhões de doses, um número significativo mas insuficiente  para os 190 milhões de habitantes. Foi preciso escolher a parcela prioritária na imunização”.

Pelo que li sobre a vacina a intenção não é impedir o contagio. Mas minizar as severas complicações após a contaminação. No ano passado constatou-se que adultos e jovens estão mais resistentes nas estatísticas da nova gripe.

Grávidas e doentes crônicos

Apesar de ser um um vírus novo já existem pesquisam que revelam que a doença é, de fato, mais perigosa para alguns públicos. O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) de São Paulo, por exemplo, ao analisar 10.249 casos da enfermidade concluiu que portadores de doença metabólica crônica, como obesidade, diabetes e colesterol elevado, têm 7,58 vezes mais chances de morrer se contraírem a gripe suína do que pessoas que não apresentam essas condições. Entre as mulheres grávidas, o risco de morrer entre aquelas estão no segundo ou terceiro trimestre de gestação é 4,3 vezes maior do que para as no primeiro trimestre.

Esta foi a pesquisa que fundamentou a escolha do Ministério da Saúde ao eleger os doentes crônicos e as grávidas – de qualquer idade – como parcela a ser imunizada gratuitamente.

Clínicas particulares

Os especialistas lembram que apesar da vacina ser preferencialmente oferecida para uma parcela da população, a dose não é contraindicada para outras faixas etárias. A vacina para pessoas entre 3 e 19 anos, por exemplo, pode ser oferecida em clínicas particulares. No entanto, os fabricantes das doses contra o H1N1 deverão oferecer as imunizações para as entidades privadas a partir de abril.

As justificativas do Ministério da Saúde

Por que os profissionais de saúde vão receber as doses?
Os trabalhadores da saúde envolvidos na resposta à pandemia necessitam ser protegidos para garantir o funcionamento dos serviços de saúde, ou seja, não se pode correr o risco de um possível colapso de atividade essencial, como pronto atendimento, vigilância em saúde, laboratório etc., porque o profissional foi atingido pela pandemia.

As grávidas foram escolhidas por quais motivos para estarem no grupo da vacinação gratuita?
Entre as mulheres em idade fértil que apresentaram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por influenza pandêmica (gripe suína), 22% eram gestantes.

E a escolha dos doentes crônicos para a vacinação?
Entre os casos graves de (H1N1) 2009, aproximadamente 35% apresentaram alguma comorbidade. O grupo de doenças respiratórias crônicas foi o mais frequente, com 24,4% dos registros, seguido de doenças cardiovasculares,e outras doenças crônicas.

Os indígenas serão vacinados gratuitamente. Por quê?
Os indígenas são considerados grupo prioritário seja pela maior vulnerabilidade a infecções, seja pela maior dificuldade de acesso às unidades hospitalares, caso necessitem delas.

Entre as crianças, quais devem ser vacinadas?
As crianças menores de dois anos apresentaram a maior taxa de incidência de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.

Os jovens são os mais vulneráveis?
Os jovens entre 20 e 29 anos foram o grupo etário mais acometido, representando 24% do total de casos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) em 2009. Os adultos entre 30 e 39 anos foram o grupo etário mais acometido em relação a mortalidade, representando 22% do total dos óbitos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) no ano passado.

Mauro Queiroz
Portal Terra/IG/AI/UNO

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