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Páscoa em Criciúma no combate contra violência contra crianças e mulheres

Criciúma – O prefeito Itamar da Silva lançou na tarde desta quarta-feira (27), uma campanha institucional de combate à violência contra a mulher e as crianças. Com o slogan “Não esconda esse ferimento. Vítima de violência denuncie”, cartazes a partir desta semana vão ser colados nas repartições públicas de Criciúma visando coibir todas as formas de violência.

A ação de divulgar os cartazes é determinada por um projeto de Lei 4.782, aprovado por unanimidade pela câmara de vereadores, na época em que o atual o prefeito era vereador, em 2005. “Trata-se de uma obra aparentemente simples, mas na minha avaliação, é grandiosa por representar o sentimento das pessoas. Por combater ações de violências com uma simples ligação e desta forma conseguir melhorar a vida de dezenas de pessoas, de famílias inteiras”, explicou ele ao relatar que agora na administração compreende que nem sempre os projetos aprovados no legislativo são colocados em prática.

“Este projeto era diferente, especial. Não conseguimos medir o efeito da violência. Não sabemos se ela ficará na vida da pessoa a curto ou longo prazo ou até mesmo se pode ser algo fatal”.

Itamar da Silva acredita que a partir de agora a visibilidade em todos os prédios onde a administração municipal presta os serviços aos cidadãos, em ônibus, abrigos e terminais, como também nos meios de comunicação oficiais, levará uma mensagem de conscientização à sociedade. Conforme previsto na lei, o material inclui também os telefones disponíveis para realização de denúncias destes casos.

A causa nobre foi abraçada por dezenas de entidades criciumenses e principalmente pelos profissionais das secretarias do sistema de Saúde e Social. De acordo com a coordenadora do Núcleo de Prevenção à Violência e Prevenção à Saúde, o NUPREVIPS, Ana Losso, a ação de estimular a denúncia é muito importante. Para ela, colaborar com a divulgação do trabalho efetuado pelo município é uma excelente iniciativa para contribuir com a minimização dos casos. “Considero este ato valoroso, de muita grandeza. Quem não denuncia também violenta. As violências precisam ser enfrentadas, ações como estas precisam ser feitas por toda a sociedade”, concluiu.

Números de casos foram revelados

Os números de casos de violência contra mulheres e crianças registrados nos três primeiros meses do ano não foram divulgados. No entanto, a assistente social do Centro de Referência Especializada em Assistência Social (Creas), Leila Rezende Ferrari, apontou o número de casos atendidos pelo serviço municipal no ano de 2012.

Segundo ela, foram contabilizados durante todo o ano 38 atendimentos de denúncias sobre violência psicológica contra crianças, em Criciúma. No caso de violência física o número chegou a 12. Leila relatou inclusive que foram denunciados no Creas 9 casos de negligências. O maior registro fica por conta da violência sexual. Em 12 meses foram 56 casos confirmados.

Destes casos, a especialista relata que 40% dos atos foram executados pelos pais biológicos. Avós, tios e até irmãos também praticam violência sexual contra crianças e ocupam a segunda colocação com 24% dos casos registrados. Os padrastos chegam a 21%. Quando se trata de outras pessoas, parentes distantes ou vizinhos o número chega a 15%.

Segundo Leila, os números ainda são pequenos, por falta de denúncia. Principalmente, quando se trata de violência contra mulheres. Somente no ano passado, a Casa Abrigo da Mulher, acolheu 14 delas, vítimas de vários tipos de problemas enfrentados por elas. Como ameaças, agressões e até mesmo violência psicológica. No Creas foram atendidos apenas 38 casos na cidade que tem cerca de 200 mil habitantes.

“Precisamos que sejam feitas as denúncias, tanto no caso de crianças quanto de mulheres. Tratamos da família inteira que acaba sendo vítima quando apenas um membro sofre a violência”, relatou.

Para o delegado da Delegacia de Proteção à Mulher, Criança e Adolescente de Criciúma, Antônio Márcio Campos Neves, campanhas como esta são fundamentais para principalmente prestar socorro para as vítimas. “Nosso trabalho é cumprir a Lei e esta, baseada na Constituição pede que sejam punidos os autores da violência, mas, não dá nenhum suporte, não atende a vítima”, lembrou.

 

Texto: Kênia Pacheco
Fotos: Tiago Maciel
ai/UNO

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