Artigos

Alargamento da Praia de Balneário Camboriú, a quem interessa?

por Júlio César Cardoso

Em plena crise financeira nacional, Balneário Camboriú já enterrou dinheiro público na construção extravagante da Passarela da Barra. Agora, é o atual prefeito, Fabrício Oliveira, que deseja ver o seu nome cunhado no alargamento da Praia Central.

O alargamento da praia é uma obra totalmente desnecessária e que só serve para atender aos interesses políticos e de grupos empresariais. A concretização do projeto representará, com certeza, um nicho de obtenção de propinas tal qual foi a construção da Passarela da Barra. E o efeito negativo já fez sentir no bolso dos contribuintes com a majoração do IPTU em mais de 10%.

Balneário Camboriú não precisa disso para sobreviver

É uma inverdade que se trata de obra de sobrevivência econômica da cidade. Balneário Camboriú até hoje sobreviveu e muito bem com o dinheiro do turismo sobre as belezas naturais, bem como pela volumosa arrecadação de seu comércio, construção civil, rede hoteleira, bancária e, expressivamente, pelos impostos derivados de miríades de prédios de apartamentos.

Com a execução da nova planta paisagística da orla – implantação de calçadão, área de estacionamento, ciclovia e pista de corrida, rampa de acesso à praia, recomposição vegetal e construção de núcleos para comércio e serviços -, pergunta-se: o que sobrará de faixa de areia para os usuários?

O alargamento como proposto descaracteriza mais a cidade, já engolida pelos espigões de concreto. A cidade vai perder a beleza natural da praia pelo apelo megalomaníaco de empresários, principalmente os da construção civil, que desejam vender os seus imóveis de luxo.

Portanto, Balneário Camboriú não tem que se adequar à população flutuante para alargar a praia. Isso não existe em outro lugar. Nenhum turista deixou de vir ou voltar a este município pelas condições de largura da praia, mas sim por outros possíveis motivos.

O prefeito deveria se preocupar em aplicar recursos públicos em necessidades vitais: educação, saúde (hospital e posto de saúde), segurança, saneamento básico, despoluição da praia e do Rio Marambaia, que deságua infecto no mar.

Vale lembrar que a praia está doente e é anualmente tomada por toneladas de briozoários, algas filamentosas etc., em cenário degradante onde convivem banhistas desavisados, varredores e caminhões trafegando perigosamente pela praia para recolher os organismos e lixo.

Por outro lado, irresponsavelmente o prefeito não se preocupa com o crescimento polupacional de Balneário Camboriú – onde problema social de mendicância já é uma realidade – e continua a encomendar propaganda de uma cidade, que não tem infraestrutura para solucionar os constantes alagamentos por qualquer chuvarada, os engarrafamentos de carros o ano inteiro, a falta de água, tanto que os chuveiros da Avenida Atlântica foram fechados, a poluição da água e da areia da praia etc.

E assim mesmo o prefeito deseja torrar o dinheiro do contribuinte em embelezamento da orla marítima?

A praia passa 75% do ano com a sua largura normal. O alargamento só gera aumento de imposto e despesa, inclusive para a sua manutenção. A atual suavidade do banho de mar a crianças e idosos se transformará em praia do tombo – como é hoje Copacabana. Sem esquecer de que contra a natureza inexiste eficácia da engenharia humana.

O governo federal, ou estadual, não deveria liberar recursos para fins do alargamento e nem o órgão ambiental oficial outorgar licença.

Júlio César Cardoso
Bacharel em Direito e servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

Comentários

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo