Comportamento

A crise das novelas da Rede Globo

O Sucesso de Os Dez Mandamentos

Por Mauro Queiroz

Inicialmente acreditou-se que o fracasso de Babilônia foi por causa do beijo gay das personagens de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Acreditando que este foi o motivo do fracasso a novela sofreu diversas intervenções que mudaram os rumos dos personagens e ainda assim não foi o bastante para alcançar as metas de audiência propostas pela Rede Globo. Agora novamente o mesmo mal assombra a nova novela da Globo “A Regra do Jogo”.

E “Os Dez Mandamentos” da Record? Qual o motivo do sucesso? Bem, o sucesso da Record é um acidente. Claro que a hipótese do acaso jamais seria admitida pela Record. Mas, a verdade é que o sucesso de “Os Dez Mandamentos” pode não ser repetido na novela sucessora, a menos que sua próxima novela mantenha a idéia de uma realidade paralela, e que seja diferente do cotidiano violento e de crise financeira e moral pela qual passa o Brasil. Em outras palavras, a razão é simples mas ao mesmo tempo difícil de ser entendida por quem escreve roteiros de novelas. Estes escritrores escrevem as coisas que todo mundo passa e sofre no dia a dia. Mas, em cenários diferentes. Por exemplo, todos somos sujeitos a ter uma gripe, um assalto, um acidente. Contudo, a diferença está no cenário da vida real.

O rico que teve o carro acidentado tem o seguro e o pobre tem que deixar o carro na oficina e correr atrás da grana para o concerto. O que isto quer dizer? Como assim? A vida real já é insuportável para grande parte da população que assiste novelas. Por isso, se essa realidade passa para a novela que por sua vez  abandona a fantasia e fica igualmente horrível e insuportável comparada ao cotidiano. Deixa de ser fantasia e passa a ser o espelho da realidade pondo fim a dose de encanto que as pessoas buscam no horário das novelas.

Claro que faltou inteligência na equipe da Rede Globo que aprovou o beijo gay logo no ínicio da novela. Um erro grotesco ao ignorar que o Brasil é um país conservador e preconceituoso. Muita gente leiga sabe disso. Mas a GLobo como não sabia disso? Como assim? Mas, não foi somente isso que fracassou. Os títulos da novelas são mal escolhidos e falta estud social. Os nomes Babilônia e Salve Jorge tem uma conotação muita negativa para quem é Evangélico. Um erro bobo com custo alto. Além do mais, as novelas erram tentando esclarecer ou combater um mal como fez “Salve Jorge” com o tráfico humano. De novo a fantasia se esvaiu. Claro que é importante denunciar em novelas tratar de temas complexos. Mas deve-se estar preparado para o preço de baixa audiência e lógico menos patrocínio. Ninguém quer mais realidade depois dos jornais. Deixem isso para os noticiários, documentários e filmes.

Agora temos a novela a Regra do Jogo. Qual o erro? Porque a novela ainda não emplacou o sucesso esperado de Império? Novamente o erro é a falta de fantasia do Irreal. A novela é muito cruel e dura e o humor é fraco. É real demais e o maior concorrente das últimas novelas da Globo é o próprio Jornal Nacional. Após assistir só desgraças no mundo político, corrupção, guerra, roubo, lava-jato e desesperança vem a novela A Regra Jogo dando continuidade ao Jornal Nacional de forma lúdica. Falta o sonho, a fantasia.

A história da novela é boa … mas tá real demais… em tempos de crise na economia as pessoas querem respirar outra coisa. Daí entra “Os Dez Mandamentos” mostrando um mundo diferente que se não for considerado espiritual é no mínimo uma outra epóca que não faz lembrar que este tempo presente é uma droga.

Já o sucesso de Paraisópolis e Além do Tempo reside na fantasia. No mundo real não existe um “bandido” atrapalhado como Grego ou Jataí. Pode existir na vida real um Don Pepino ou um Gabo mas eles não são os protagonistas da novela.

Os autores precisam voltar urgente a fantasia e celebrar mais os personagens caricaturizados como a Carminha, Tufão, Cadinho, Leleco, Félix, etc. Se a 2a. Fase de Além do Tempo fugir da fantasia irá fracassar também. Portando, autores pelo bem das novelas voltem a fantasia!

Mauro Queiroz
UNOPress

 

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