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A abordagem Pikler no Brasil

Por Prof. Dr. Roger Hansen

No período pós segunda guerra a Europa iniciava um longo e duro processo de tratar suas  mazelas, dentre elas as milhares de crianças órfãs levadas para viver em instituições. Não tardou para que as consequências catastróficas fossem constatadas, como os sérios prejuízos de desenvolvimento e aprendizagem. A maior parte deles atribuídos ao distanciamento entre as crianças e suas famílias.

Foi no seio desse duro cenário que o trabalho desenvolvido por Emmi Pikler no orfanato de nome Loczy, na Hungria, foi reconhecido como uma promessa de esperança, que transcenderia a situação local para se transformar em um modelo de educação infantil para todo o mundo.

Da leitura dessa breve história é natural surgir a pergunta: “Mas o que Pikler trouxe de novo?” Emmi Pikler ensinou uma nova forma de olhar para a criança pequena, com um respeito e profundidade jamais vistos. Provou que não é simplesmente a ausência dos pais o que prejudica a criança, mas acima de tudo o desconhecimento de suas reais necessidades.

Uma das primícias da abordagem Pikler-Lóczy destaca a importância de se respeitar cada criança a fim de que estas se desenvolvam em um ambiente amoroso, respeitoso e seguro.

Acelerar os processos de desenvolvimento da criança pequena, como querer fazê-la sentar ou andar antes desta estar madura para tal, foram constatados por Pikler como os maiores vilões para o saudável desenvolvimento infantil.

Talvez isso seja espantoso para o leitor, tendo em vista que ainda hoje no Brasil quase 100% das melhores famílias e escolas acreditam que é necessário ensinar e fazer exercícios para treinar o sentar e o andar do bebê.

De um lado os pais e educadores tendem a dar demasiada atenção aos momentos em que a criança precisaria se desenvolver sozinha. Pegam a criança no colo quando ela precisa se movimentar.

Dispõem de colchonetes ou algo similar para que o solo fique mais “confortável”, enquanto o bebê tem grande necessidade do solo firme para o desenvolvimento adequado de sua postura física, que anos depois também terá consequências psicológicas.

Por outro lado, o mais comum é que os adultos negligenciem ou tratem com pouca importância questões delicadas como a troca de fraldas, os momentos de alimentação e sono. Não ao acaso muitos pais modernos delegam as tarefas de troca e banho inteiramente as babás.

As renomadas escolas infantis, por sua vez, promovem que cuidadoras passem de sala em sala trocando as crianças, a fim de poupar as educadoras dessa tarefa supostamente indigna para alguém que frequentou uma universidade por anos.

Emmi Pikler derrubou essas enganosas opiniões. Apoiou-se em sérias pesquisas científicas que somadas aos seus mais de 50 anos de experiência direta com crianças a permitiu transformar essa forma de cuidar e educar em uma verdadeira arte, criando expressões como “coreografia dos cuidados”, que direcionam com precisão o trabalho dos cuidadores.

A Abordagem Pikler começa a ser difundida no Brasil. É algo histórico pois sabemos que depois disso os brasileiros jamais olharão com os mesmos olhos para as crianças pequenas. Elas agradecem!

• Prof. Dr. Roger Hansen – Doutor em Educação e diretor do Colégio Acadêmico Florença, de Florianópolis/SC.
É idealizador do Método Florença, que integra os princípios da Abordagem Pikler, dentre outros.

Nos dias 23, 24 e 25 de Janeiro de 2015, acontece em Florianópolis (Rua General Bittencourt, 239), o curso “Educação Infantil”, com 30 horas/aula e que tem como público alvo educadores, pedagogos, profissionais da saúde e da educação de todo o Brasil.

O objetivo do curso é desenvolver uma visão profunda da primeira infância aliada a técnicas e ferramentas para promover uma educação saudável e equilibrada.

Mais informações e inscrições, no telefone (48) 3025-6842 / 9138-2865, e-mail: [email protected] ou pelo site http://www.aegisconsultoria.com.br

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ai/UNO

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