 Mauro Queiroz Não seria exagero dizer que a integração estadual pela BR-282 é um sonho de pelo menos 200 anos. A necessidade veio junto com o desenvolvimento do Oeste Catarinense e já se passaram cinco gerações até que se tornasse realidade. Ao longo dos anos, muitos candidatos se elegeram com os discursos e promessas da conclusão da BR. Nestes anos é possível que muitos tenham se aproveitado da sua construção. Houve denúncias de superfaturamento, contratos irregulares que atrasaram a obra e o sonho de um povo que esperava esta conquista.Ao mesmo tempo, outros parlamentares se esforçaram para ver cumprida a obra. O Batalhão de Engenharia e Construção do Exército, com sede em Lages, viabilizaram a obra, transformando-a num fato histórico. Uma coisa que chama atenção é que Santa Catarina teve um só Presidente da República: Nereu Ramos, de Lages. E, mais recentemente, contou com três Presidentes Nacionais dos maiores partidos do Brasil (Jorge Bornhausen - PFL, Esperidião Amin - PP e Luiz Henrique - PMDB). E, a obra foi finalizada por um Presidente Nordestino. O fato é que o lado brasileiro da BR 282 foi concluído mesmo com 60 anos de atraso. A alegria é tanta para o catarinense do Extremo-Oeste que as dificuldades e decepções vividas já não importam mais. Agora é ficar de olho no futuro, pois se completou a pavimentação entre São Miguel do Oeste e Florianópolis. Agora é realidade: O Oeste está mais perto de Florianópolis. Mas por que a BR 282 custou tanto para ser concluída? A resposta não é muito difícil. Empresários do Vale do Itajaí, diga-se de passagem, a região de maior poder econômico em Santa Catarina e possivelmente da Região de Curitibanos, sempre viram a construção da BR como uma perda de clientela. As forças da região do vale, somado a omissão de políticos da Serra, do Oeste e Sul de Santa Catarina causaram o atraso. A história é muito parecida com a BR 319 que liga Manaus ao restante do Brasil, pois de lá, somente pode-se sair de avião. São anos sem fim de entrave. A questão toda é que por interesse de alguns que ganham milhões levando mercadoria de Porto Velho em suas balsas, fica a região e a sociedade a mercê da omissão dos governantes. Qualquer mercadoria comprada em São Paulo demora 14 dias para chegar a Manaus, pois, a BR termina em Porto Velho. A saída é o transporte aéreo. O que tornou Manaus ao longo dos anos uma cidade de custo de vida muito alto. E com certeza, a motivação desta "omissão" planejada em Santa Catarina com respeito a BR 282, não tem motivação diferente, que não seja a economia. Certamente que a BR 282 desviará metade do tráfego do Vale a caminho de Florianópolis, que até então era obrigatoriamente feito através da BR-470, passando por Curitibanos, Rio do Sul, Blumenau e Itajaí. Ao invés da visão de estado como um todo foi preferível atentar para a economia egoísta dos hotéis, restaurantes, postos de abastecimento, comércio e indústria, no eixo Curitibano - Itajaí. O fato é que se não houvesse coragem e força política de vencer gigantes, aquela região estaria condenada ao atraso, como por anos aconteceu ao Norte e Nordeste do Brasil. A BR 282 foi construída para suportar um tráfego de cinco mil veículos por dia, mas atualmente, a BR tem um tráfego de mais de 20 mil veículos diários. Conhecida como a espinha dorsal do sistema viário do Oeste, a rodovia registra cerca de 1.000 acidentes por ano em seus 680 quilômetros, dezenas de mortes e milhares de mutilados. Na última semana foram registrados 16 acidentes, com 17 feridos e vítimas letais no trecho oeste da BR-282. No Google Maps já podemos ver o trecho Florianópolis – Paraíso de carro como se vê no trecho abaixo dado pelo Google Maps: http://maps.google.com.br/maps?f=d&source=s_d&hl=pt-BR&geocode=FZjnWv4dsjEb_SmfuH7hv0knlTEYKrqfTOPW0w%3BFcDXaf4dGhLN_ClBOlF-E2z6lDEDaWLvSjA9EA&saddr=Florian%C3%B3polis&daddr=Para%C3%ADso&sll=-14.179186,-50.449219&sspn=85.052736,112.5&ie=UTF8&ll=-26.902477,-51.04248&spn=5.37752,7.03125&z=7 Rota de carro para Paraíso - SC, Brasil 420 mi – aprox. 8 horas 32 minutos Trajetos sugeridos BR-282 420 mi 8 horas 32 minutos BR-116 e BR-282 468 mi 9 horas 46 minutos BR-116, BR-285 e BR-282 479 mi 10 horas 21 minutos Florianópolis - SC - Brasil 1. Siga na direção noroeste na R. Ten. Silveira em direção à R. Arcipreste Paiva 79 pés 2. Pegue a primeira à esquerda para pegar a R. Arcipreste Paiva 0,2 mi 3. Vire à direita na Av. Paulo Fontes 0,2 mi 4. Pegue a saída à esquerda para a Rua Pedro Bittencourt 0,2 mi 5. Continue para Rod. Gov. Gustavo Richard 387 pés 6. Continue para Pte. Gov. Colombo Machado Salles/BR-282 Continue na BR-282 4,1 mi 7. Pegue a saída para a BR-101 6,5 mi 8. Sair na BR-101 - Pista Lateral 0,2 mi 9. Na rotatória, pegue a 1ª saída para a BR-282 201 mi 10. Continue para BR-470 0,2 mi 11. Continue para BR-282 121 mi 12. Vire à direita para permanecer na BR-282 69,7 mi 13. Na rotatória, pegue a 2ª saída para a Rua Waldemar Ramgrab 2,5 mi 14. Continue para Rua Santos Dumont 0,6 mi 15. Continue para Rua Alberto Dalcanalle 0,3 mi 16. Vire à esquerda na Rua Oswaldo Cruz 472 pés 17. Vire à direita na Rua Marcílio Dias 0,3 mi 18. Continue para Rua Luiz de Camões 0,4 mi 19. Continue para Estr. p/ Paraíso 0,2 mi 20. Continue para BR-282 12,3 mi Paraíso – SC- Brasil A meta agora é a duplicação Esta semana, durante o 3o Seminário Unimed de Desenvolvimento e Saúde promovido pela Cooperativa de Trabalho Médico da Região Oeste Catarinense, com apoio da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC) o consenso geral foi à prioridade da duplicação da BR-282. A obra é necessária para salvar vidas e estimular o desenvolvimento econômico de Santa Catarina a partir do "Oeste Barriga-Verde". Esse consenso ficou evidente entre empresários, autoridades e a comunidade regiona. Ainda naquela reunião, o presidente da Federação dos Transportadores de Carga de Santa Catarina (Fetrancesc), Pedro Lopes, confirmou a relação saúde/rodovia citando índices nacionais: 40% dos leitos de traumatologia no Brasil são ocupados por vítimas de acidente. Assinalou que o Estado de Santa Catarina é o campeão nacional de acidentes de trânsito. Destacou que é preciso antes recuperar o sistema rodoviário e somente depois investir em ferrovias. O presidente da Acic, Vincenzo Mastrogiacomo, sublinhou que a preocupação vai além das cargas transportadas diariamente e pediu prioridade no estudo de viabilidade técnica e econômica para a duplicação. O diretor de operações da Sadia, Ronaldo Muller, mostrou que a rodovia, nas condições em que se encontra, encarece os custos do transporte até os portos e retira a competitividade dos produtos catarinenses no mercado mundial. O reitor Odilon Poli colocou a Unochapecó à disposição para apoiar a campanha através do desenvolvimento de um site com informações sobre a campanha pela duplicação. Além de reforçar a importância sobre a prevenção de acidentes, a infra-estrutura de transportes foi aspecto marcante durante o seminário. Para o presidente da Acic, a duplicação é imprescindível porque a via é o principal acesso para o escoamento da produção da região Oeste de Santa Catarina aos portos catarinenses e até aos grandes centros brasileiros de consumo. Somente a produção agroindustrial, soma mais de 500 mil toneladas de produtos na linha de carnes, grãos e lácteos transportados todo o mês. “A análise da receita tributária que essa riqueza gera para o Estado torna incompreensível a situação de abandono da rodovia”, lamentou. Lula e a BR282 Um debate político inimaginável registrou-se, na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, quando foi proposta a votação do projeto de lei que concedeu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o título de Cidadão Honorário de Santa Catarina. Proposta, aliás, aprovada por unanimidade, com pareceres favoráveis de dois relatores, seus adversários políticos: o deputado Gelson Merísio, líder do Democratas, e o deputado José Natal Pereira, do PSDB. Contudo, na votação em plenário houve várias intervenções, de correligionários e adversários, todas elas destacando as qualidades do presidente da República e as obras que o governo federal vem realizando em Santa Catarina. Foi destacado mais esta promessa de Lula que se cumpre no Estado, fez questão de mencionar a presença ali do engenheiro João José dos Santos, diretor do DNIT e responsável pelas estradas, e exibiu slides no telão com fotos e dados da "rodovia da integração catarinense". A BR-282 é, indiscutivelmente, a estrada que mais une a população dos dois extremos do Estado. A Rodovia e a Paisagem Viajar pela BR 282, é certeza de belas paisagens e passar por quatro pontes fazem parte dos quase 30 km da obra. Mauro Queiroz
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